sábado, 9 de junho de 2012

Como sobreviver ao dia dos namorados (duas vezes no mesmo ano)

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No começo do ano pude presenciar o Valentine’s Day nos EUA... estava choramingando sobre a data com uma amiga americana e ela me explicou como lá é comemorado também a amizade, a família, e todos trocam presentes, não apenas os casais. Seria uma espécie de celebração do amor, em todas as suas formas (caiu uma lágrima). 
No mesmo dia conversando com um amigo que também é de lá, a resposta foi bem mais direta, no melhor estilo tapa na cara: “essa sua amiga não sabe o que tá falando, esse dia é para os casais, é o dia da consciência dos solteiros” ou Singles Awareness Day (S.A.D.)
Não vamos nos enganar, é exatamente isso, é o mundo te lembrando que você não tem namorado, esfregando na sua cara que você é a única pessoa sozinha nesse dia. Logo você, bonita, inteligente, gente boa... sozinha!
4 meses depois, para nossa alegria, o dia dos namorados está chegando... de novo? 
O que mais incomoda não é nem a solteirice em si, mas o fato de que as comédias românticas, os comerciais, os outdoors, e o que mais existir, fazem questão de apontar tudo que você não vai ter nesse dia: um perfume novo, cafunés, jantar à luz de velas, isso não te pertence.
Não, não adianta falar que é uma data comercial, é o tipo de coisa que todo mundo sabe, repete pra si mesmo, mas que não faz a menor diferença. Quer ver? Prepare-se pois é tudo muito romântico: “A data só é comemorada no Brasil em junho (e não fevereiro como na maioria dos países) porque esse era um mês de mercado pouco aquecido, considerado o mais fraco para o comércio” - já tá se sentindo melhor, não né? - “Para melhorar as vendas de junho, um publicitário lançou uma campanha que consistiu na mudança do dia de São Valentim para o dia 12 de junho com o slogan: 'não é só de beijos que vive o amor'" (para ler na íntegra clique aqui). 


Para aquelas que estão ficando, não se empolguem muito, nessa data a melhor coisa a fazer é colocar o poker face e fingir que é um dia como todos os outros. Sugerir qualquer programa mais romântico pode ser fatal e assustar o cara, tadinho! E não fique surpresa se ele ficar estranho ou até mesmo sumir, é um efeito comum da data. 
Já você que perdeu as esperanças (ou perderam as esperanças em você), torça para não encontrar aquela tia que está fazendo seu enxoval desde que você nasceu e ouvir pela milésima vez: “e o namorado, cadê?” 
Mas se quiser rir da própria desgraça, basta ler as dicas das revistas femininas para esse dia... 10 maneiras de não se matar ser feliz no dia dos namorados. Tem de tudo, desde a clássica “compre um presente para si mesma” até coisas do tipo “dance na frente do espelho” (como é?). 
A única recomendação que acho realmente válida é o famoso “saia com as amigas”, mas isso serve pro ano inteiro, em qualquer país, solteira ou namorando. Nunca falha, true story.

(Se ainda assim você não está satisfeita, não se desespere. Graças a Deus e a algum organizador de micareta querendo lucrar, já temos nosso dia! 15 de agosto, o dia dos solteiros, já tá chegando)

O dia dos Namorados (para quem namora)

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Queridos leitores e leitoras, segue um textinho feito em parceria entre a colaboradora Andrea Lello e eu para homenagear o Dia dos Namorados que se aproxima:


Mais um dia dos namorados se aproxima e aquela inquietação começa a se manifestar. Primeiro porque enfiam em nossas cabeças que este dia exige algo especial e segundo porque nunca estamos contentes com o que pensamos. Qual presente poderia traduzir o estágio do nosso relacionamento, minha identidade e o que sinto por ele? “Já sei! Que tal um novo perfume, aquele com aquela propaganda super legal ou quem sabe uma bela camisa...”
Eu poderia encher um pacote de mensagens escritas “eu te amo”, mas eu ainda não falei isso pra ele! Poderia assustar o rapaz e é muito comédia romântica Hollywoodiana! Quem sabe também colocar um belo espartilho de lacinho e falar “este é o complemento do seu presente”, não! “Não sou objeto para me dar de presente a marmanjo algum! Além disso, ele pode ficar mal acostumado!”
Nunca conseguimos nos decidir. Quando solteiras essa data costumava ser um lembrete de como não havia cumprido meu dever como mulher nessa sociedade e ter sido capaz de, pelo menos, ter agarrado um rapaz. A semana anterior a este dia era infernal até para relaxar e sair para fazer umas comprinhas. Todas as propagandas com coraçõezinhos e todas as lojas com promoção de dia dos namorados (ok, dessa eu me aproveitava!).
Quando estava solteira, ser uma frigideira era um problema. Mas agora que sou panela com tampa o dia dos namorados se tornou esse incômodo completamente diferente: fazer algo especial, autêntico, ir em restaurantes lotados, caros e a odisséia do presente ideal. Foi-se o tempo que uma camisinha era suficiente para fazer a noite.
Há, ainda, os namorados que ainda não disseram as três palavras mágicas. Sei o que você está pensando. Não, não é "passa o molho?", mas o temido "eu te amo". Será que este vai ser o grande dia para isso? Aí fica aquela tensão a noite inteira, “será que eu digo? Ele vai dizer de volta? Porque ele não fala logo? O que eu to fazendo aqui? Deus, faça com ele não diga isso!”. 
Que dia estressante! Verdade é que poucos casais são fortes o suficiente para o dia dos namorados e poucas são as pessoas que realmente aproveitam o dia naturalmente. Mesmo porque, como sabemos, ele não é natural e foi inventado em homenagem a São Valentim, e colocado nessa data no Brasil para aquecer as vendas do mês, que sempre foram meio paradas.  No fim, quem sai ganhando nessa data é só o comercio mesmo. Nós acabamos, invariavelmente, decepcionadas com o presente que ganhamos, pegamos fila no motel (quer coisa que mais acaba com romance do que isso?) e o sexo foi do mesmo jeito de sempre.
Sou muito mais um jantarzinho inesperado, um presente lembrado em qualquer dia, um sexo em hora imprópria e um carinho sem data marcada para acontecer.

Natália Olveira e Andréa Lello
 

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