quinta-feira, 14 de junho de 2012

A adorável mania de deixar tudo para a última hora!

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A última hora não é definida em minutos, horas, dias, semanas ou anos. Ela é apenas o momento limite para se fazer algo que não se gostaria de estar fazendo.
Os que não a praticam se irritam com tal atitude, consideram-na no mínimo uma irresponsabilidade sem tamanha. Para aqueles que a realizam de vez em quando é uma aventura que deve ser evitada nos momentos em que a coisa é mais séria.
Já para os que a exercem cotidianamente é como uma filosofia de vida.
Certamente, para estes, as primeiras coisas deixadas para última hora aconteceram já na infância e na maioria das vezes por força maior (seja lá o que isso venha a significar): Um trabalho de escola só ficou para os 45 do segundo tempo ou porque aquela gripe veio forte ou porque os pais decidiram viajar de última hora para a casa da vovó. A arrumação do quarto só ficou para última hora ou porque ia passar aquele filme super legal na seção da tarde ou porque uma amiga te chamou de última hora para ir à casa dela e você não podia dizer não.
Até ai tudo bem! Não há problema algum, foram só algumas vezes e por forças maiores. O problema maior é quando você começa a receber elogios por coisas realizadas de última hora:
    
-   Nossa!!! Que trabalho exemplar. Você se superou hem!
-   Que quarto arrumado! Porque você não se dedica sempre assim?
E você pensa:
-    Añ?!?

Fora os elogios, você ainda começa a observar as pessoas ao seu redor e percebe que a grande maioria das pessoas que deixam as coisas para última hora está sempre mais presentes nos eventos, topa qualquer viagem, qualquer barzinho, qualquer cinema de última hora... Mesmo não sendo um deles, você sabe que quando precisar de uma companhia de última hora a melhor opção é procurá-los.
Não que as pessoas mais organizadas não sejam assim, mas é que involuntariamente você passa a direcionar seu olhar para estas outras pessoas e passa a admirá-las e se identificar.  Se esta pessoa for uma pessoa que você gosta muito sua tendência a ser um “deixador de coisas para última hora” amplia consideravelmente. Pois essa raça consegue influenciar a maioria das pessoas indecisas entre realizar sua obrigação ou sair por ai fazer qualquer outra coisa.
Além disso, você também começa a aceitar o fato de que as coisas deixadas para a última hora são coisas muito chatas ou que darão muito trabalho para serem bem realizadas (ou ambos): aquele trabalho do final de semestre, aquela dieta que você está programando há décadas, os exercícios físicos, a depilação dolorida, aquele relatório do trabalho, o resumo do congresso etc.
Ninguém nunca deixa para última hora coisas legais e interessantes (a não ser que a obrigação te exija):
Alguém já deixou para comprar os ingressos de um filme ou show que você quer muito ir assistir para o último dia e nos últimos minutos? Alguém já comprou um cd com uma musica que adora e deixou para escutá-la só por último? Alguém vai num samba de sexta feira às 03 da madruga só para ver o final?
É por isso que se não der para fazer tudo ao mesmo tempo, é melhor deixar as obrigações para a prorrogação. Os que odeiam tal atitude argumentariam que a organização lhe permitiria realizar tudo - obrigações e diversão. Mas está ai outra característica daqueles que deixam tudo para última hora: Nós somos desorganizados (inconscientemente ou conscientemente), afinal sabemos que se organizar dá muito trabalho e é muito chato por isso preferimos deixar isso também para a última hora.
Não estou aqui afirmando que os “deixadores de coisas para última hora” realizam suas obrigações com desleixo e nem que deixam de cumpri-las. Eles apenas deixam para última hora e por sorte ou competência elas sempre são elogiadas.
É impressionante como aparecem coisas interessantes, legais, divertidas – como dormir, não fazer nada, ir ao cinema, ver TV, ir num barzinho – quando temos alguma coisa muito chata e trabalhosa para fazer. Nós somos muito requisitados porque todos sabem que só deixaremos de cumprir com nossos eventos sociais – como ouvir musica, por exemplo – quando realmente tivermos neste tempo limite.
Deixar as coisas para a última hora não é fácil. Alguns simplesmente têm esse dom, outros criam técnicas e as aperfeiçoam ao longo do tempo. Mas sem dúvida a autoconfiança e a certeza de que o argumento “primeiro vem a obrigação, depois a diversão” só serve para cairmos na cilada de trabalharmos mais e nos divertirmos menos são as principais armas de um excelente “deixadores de coisas para última hora”.
Porque como disse minha irmã de 10 anos – já muito influenciada pelos familiares – ao ser questionada sobre o motivo de deixar suas coisas para a última hora: É porque dá certo, quando não der a gente pensa no que faz.



 

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