Mais um dia dos namorados se aproxima e aquela inquietação começa a se manifestar. Primeiro porque enfiam em nossas cabeças que este dia exige algo especial e segundo porque nunca estamos contentes com o que pensamos. Qual presente poderia traduzir o estágio do nosso relacionamento, minha identidade e o que sinto por ele? “Já sei! Que tal um novo perfume, aquele com aquela propaganda super legal ou quem sabe uma bela camisa...”
Eu poderia encher um pacote de mensagens escritas “eu
te amo”, mas eu ainda não falei isso pra ele! Poderia assustar o rapaz e é
muito comédia romântica Hollywoodiana! Quem sabe também colocar um belo
espartilho de lacinho e falar “este é o complemento do seu presente”, não! “Não
sou objeto para me dar de presente a marmanjo algum! Além disso, ele pode ficar
mal acostumado!”
Nunca conseguimos nos decidir. Quando solteiras
essa data costumava ser um lembrete de como não havia cumprido meu dever
como mulher nessa sociedade e ter sido capaz de, pelo menos, ter agarrado um
rapaz. A semana anterior a este dia era infernal até para relaxar e sair para fazer
umas comprinhas. Todas as propagandas com coraçõezinhos e todas as lojas com
promoção de dia dos namorados (ok, dessa eu me aproveitava!).
Quando estava solteira, ser uma frigideira era um
problema. Mas agora que sou panela com tampa o dia dos namorados se tornou esse
incômodo completamente diferente: fazer algo especial, autêntico, ir em
restaurantes lotados, caros e a odisséia do presente ideal. Foi-se o tempo que
uma camisinha era suficiente para fazer a noite.
Há, ainda, os namorados que ainda não disseram as
três palavras mágicas. Sei o que você está pensando. Não, não é "passa o
molho?", mas o temido "eu te amo". Será que este vai ser o
grande dia para isso? Aí fica aquela tensão a noite inteira, “será que eu digo?
Ele vai dizer de volta? Porque ele não fala logo? O que eu to fazendo aqui?
Deus, faça com ele não diga isso!”.
Que dia estressante! Verdade é que poucos casais
são fortes o suficiente para o dia dos namorados e poucas são as pessoas que
realmente aproveitam o dia naturalmente. Mesmo porque, como sabemos, ele não é
natural e foi inventado em homenagem a São Valentim, e colocado nessa data no
Brasil para aquecer as vendas do mês, que sempre foram meio paradas. No
fim, quem sai ganhando nessa data é só o comercio mesmo. Nós acabamos,
invariavelmente, decepcionadas com o presente que ganhamos, pegamos fila no
motel (quer coisa que mais acaba com romance do que isso?) e o sexo foi do mesmo jeito de sempre.
Sou muito mais um jantarzinho inesperado, um
presente lembrado em qualquer dia, um sexo em hora imprópria e um carinho sem
data marcada para acontecer.
Natália Olveira e Andréa Lello
Natália Olveira e Andréa Lello

1 comentários:
Muito bom. Homens pensam a mesma coisa...não admitem, mas pensam. Vida longa ao blog. JP
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